Uma das coisas que gostei na época que a constuição de 1988 estava em processo de criação era a déia do estado laico. Isto é, um estado sem laços com qualquer grupo religioso. Claro que isso era apenas na teoria, mas desinformado como eu era, não tinha como saber. O que me importava era meu pai parar de encher o saco para eu passar num maldito teste para entrar num colégio de 2º grau (antigo ensino médio).
Daqueles tempos para cá, é óbvio que muita coisa mudou. Mas se tem uma coisa que me surpreende e que não deveria, é a cara de pau das organizações religiosas. Não, eu não considero essas coisas como instituições, vide essa confusão que a anos é conhecida sobre uma certa igreja e que uma emissora oportunista resolver mostrar só agora depois de sei lá quantos anos é mostrada na rede.
Este motivador não se encaixa perfeitamente ao assunto, mas foge muito também.
Mas o que quero opinar (vejam bem, opinar) é sobre o acordo do governo desta terra brasilis com o Vaticano. Como já postado nos blogs Vigna-Maru, O Teclado de Vidro e a versão online do Estadão, esse acordo é no mínimo estranho e para paranóicos, preocupante.
Para quem ainda não sabe (ou não visitou os links acima), estou falando do Acordo Brasil-Vaticano. Tá, o nome é maior, mas já é o suficiente para entender que tem a ver com catolicismo.
O fato, explicado muito bem pelos três primeiros artigos logo acima, é que esse acordo é bem vago. Pode e vai ser explorado, na minha opinião. Educação religiosa em escola pública? Cadê o estado laico garantido pela constituição? Aí alguém me diz: “Mas é facultativo!”. Então eu respondo com uma citação, de livre tradução de uma carta de Magic: The Gathering, que devia ser brincadeira, mas me parece bem própria à situação:
“Sugerimos uma doação. A doação é obrigatória.”
Não é nenhuma novidade na terra brasilis que algo facultativo seja obrigatório… Ou será que o povo já esqueceu da CPMF, onde o P foi de provisório a permanente até ser revogada. Pior é saber que querem traze-la de volta… Brains… ahem!
Bem, além de ferir a constituição em vários pontos, tem outro detalhe. Cadê os direitos dos outros cultos? Ou mesmo dos que não querem culto algum? Por sinal, se declarar ateu (não acredita num poder superior), agnóstico (não acredita em religião) ou seguir outra religião ainda é garantia de olhar atravessado e o será por um bom tempo; com a porcentagem destes grupos crescendo aos poucos, esse “acordo” me parece conveniente demais.
Não que isso me surpreenda mesmo. As posses do presidente, que deviam ser laicas, foram “coroadas” na catedral da capital desta terra brasilis. Então, não digo mais nada.
Até a próxima…
Ah! Opiniões, gente! Ninguém está proibido de dar opiniões! Só o spam que é dispensável.


BlogBlogs
0 Responses to “Estado laico? Ha!”